Estado vai transformar unidades de emergência em centros de referência de diferentes especialidades
Rio - Os hospitais de emergência do estado terão seus perfis redefinidos a partir do próximo mês. Uma das propostas é transformar o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, em unidade de referência para os pacientes atendidos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) que precisam de internação, de acordo com o secretário estadual de Saúde e Defesa Civil Sérgio Côrtes. Desde a inauguração da primeira UPA, em maio, mais de 897 mil pessoas foram atendidas nas unidades e 3.168 necessitaram de transferência hospitalar.
"O Carlos Chagas é um hospital pequeno, sem perfil. A gente está querendo transformá-lo num hospital de referência para todas as UPAs. Um paciente com uma apendicite aguda ou com problema de vesícula, por exemplo, seria transferido para ser operado lá. Hoje, não é fácil conseguir a transferência de um doente de uma UPA", comenta Côrtes, acrescentando que uma das medidas necessárias será aumentar o número de leitos de CTI do Carlos Chagas.
Segundo o secretário, um paciente deve permanecer numa UPA no máximo por 24 horas. "Temos pacientes que esperam 48horas na salas amarela e vermelha - áreas de emergência - até conseguir vaga. Enquanto isso, é menos leito disponível na UPA", diz.
Côrtes afirmou que as UPAs - ontem foi inaugurada a 17ª, na Penha - não reduziram de forma significativa a procura pelos hospitais como era esperado. Segundo ele, hospitais como o Rocha Faria, em Campo Grande, atendiam uma média de 600 pacientes/dia no seu pronto-atendimento antes das UPAs. Hoje, atendem entre 450 e 500.
"Esperávamos que esse número caísse para 200 porque, teoricamente, grande parte das pessoas que procuravam os hospitais deveriam ser atendidas nas UPAs. Mas havia uma demanda reprimida e o número de atendimentos nos hospitais teve pequena queda. Mas houve o ganho das UPAs, que atendem juntas cerca de 8.500 pessoas/dia. Entre 0,3% e 0,4% delas precisam de internação. Ou seja, por dia são até 34 pessoas a mais que necessitam de internação em Unidades Intermediárias e CTIs".
O secretário afirmou que mesmo com a mudança nos perfis dos hospitais, que serão equipados de acordo com a necessidade e receberão profissionais, as emergências dessas unidades continuarão atendendo todos os casos.
Defesa dos médicos e de fundação para contratá-los
As enfermarias de todos os hospitais estaduais ganharão refrigeração a partir do início do ano que vem, segundo o governador Sérgio Cabral e o secretário Sérgio Côrtes, que inauguraram ontem a 17ª UPA, na Penha. O governador disse ainda que até o fim da próxima semana - antes do segundo turno das eleições - o estado vai inaugurar três unidades: Realengo, Campo Grande e Engenho Novo.
Cabral, que foi criticado pelos profissionais de saúde por ter chamado de 'safados' e 'vagabundos' cinco médicos que faltaram ao plantão num domingo no Hospital Getúlio Vargas, mudou o tom do discurso na inauguração da UPA da Penha, vizinha ao hospital.
"Temos os médicos cooperativados que sofrem muito porque não têm nenhum direito. Na verdade, numa situação absolutamente trágica. Os médicos sem direito a nada, sem direito a décimo terceiro, sem carteira assinada, sem direito a férias. E o médico estatutário, que não ganha um bom salário, que trabalha 24 horas por semana, se desdobra porque tem vários empregos", disse o governador, ao defender a contratação de profissionais pela Fundação Estadual de Direito Privado.
E ao cumprimentar os presentes à cerimônia, Cabral não esqueceu o tom político: "Todos aqui são suburbanos", disse ele.
Fonte: Jornal O DIA
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